terça-feira, 29 de julho de 2008

Why so good?

Para responder essa simples pergunta, precisei tirar uma semana para absorver o impacto da estréia de The Dark Knight. Fã do Homem-Morcego desde os quatro anos de idade, são trinta anos de gibis, filmes, brinquedos e roupas (sim, eu tenho mais uma nova camiseta do Batman).


São trinta anos esperando para ver uma adaptação digna da força do personagem e seu universo. O universo mais rico das HQs. Aqui vale corrigir a maior injustiça dos quadrinhos. Batman foi uma criação do estúdio de Bob Kane, por isso o esperto desenhista leva o crédito. Mas tudo – inclusive a mudança que tirou as estranhas asas e colocou a elegante capa – saiu da mente genial do roteirista Bill Finger. O trauma da morte dos pais, a cidade dominada pelo crime, a identidade secreta, o quartel general, o ajudante. Todos os detalhes que fazem do vigilante de Gotham o mais interessante personagem da nona arte surgiu da criatividade de Finger. Tudo bem que ele usou de inspiração o filme The Bat e o Zorro (homenagem que sempre aparece nosflashbacks de Bruce sobre a noite do crime), mas Finger conseguiu ir muito além e construir a base de todos os super-heróis que viriam depois. Base que outros autores respeitaram.

Jerry Robinson (duplando com Finger), Dennis O´Neil com Neal Adams, Frank Miller com Klaus Janson e com David Mazzucchelli, Alan Moore com Brian Bolland, Grant Morrison com Dave McKean, Jeph Loeb com Tim Sale são alguns dos principais construtores do mito Batman. Artistas que entenderam e por isso ampliaram a força do Homem-Morcego. Coisa que o desvairado Joel Schumacher (diretor dos filmes Batman Eternamente e Batman & Robin) não fez com as suas ridículas versões. Tim Burton é genial, mas Michael Keaton não funcionou e seus dois filmes tinham os vilões como centro. E eu queria um filme do Batman, não do Coringa.

Então chegou Begins

Chris Nolan e o amigo David S. Goyer mergulharam de cabeça em Gotham e entregaram a encarnação definitiva do seu defensor. O elenco afinado e o roteiro fiel fizeram crítica, público e fãs acreditarem que era possível um morcego voar.

Dado o primeiro passo, a mesma equipe, agora com o irmão de Chris, Jonathan, teve a difícil tarefa de criar uma seqüência (maldição de Hollywood) melhor do que o original. Uma adaptação de super-herói que conseguisse superar, sem trocadilho, Superman The Movie. E não deixar feio perto do último Iron Man. Eles conseguiram. Mas como?

Em Dark Knight o que explode na tela, assim como ocorre nos gibis, não é apenas um cara vestido de morcego correndo pelos telhados. É uma discussão sobre o ser humano, o quanto temos de trevas e luzes em nossas almas, até quando podemos resistir e até onde podemos cair.

Batman, o único super-herói que vai na raça, sem poderes, armaduras ou anéis mágicos, é o exemplo do potencial da humanidade. Ele, e não Kal-El, é o übermensch de Nietzsche. Para evitar que outros sofram o que ele sofreu, Bruce Wayne abre mão de tudo e vai até o seu limite. Como muito bem mostra o filme num diálogo que ele tem com seu mordomo Alfred.


O Coringa surge na trama como realmente é: uma força do caos. Ele não quer dinheiro ou poder. Para o Palhaço do Crime, a única graça, a piada mortal é ver o circo pegando fogo. Num dos melhores diálogos do longa, o Coringa explica para Batman que não o mata porque ele é muito divertido.

Harvey Dent aparece como é retratado atualmente nos quadrinhos, uma figura trágica, um personagem de Shakespeare vivendo num drama grego. Batman fala no filme que o Coringa foi atrás de Dent pois ele é o melhor, o que consegue traduzir a esperança, o verdadeiro herói de Gotham. A fala de Dent sobre morrer um herói ou viver para se tornar um vilão é uma das mais sensacionais do filme. E com certeza de todos os quase 70 anos do Batman.

Num podcast recente da Creative Screenwriting Magazine, Jeff Goldsmith entrevistou Jonathan Nolan. O co-roteirista falou da influência de histórias como o Longo Dia das Bruxas e como a questão how far is too far foi a idéia central do filme. Exatamente como tem sido nas melhores histórias dos gibis.

No filme, Batman, Jim Gordon e Dent são colocados à prova, são forçados a enfrentar desafios e questões morais para descobrir how far is too far. Alguns resistem, outros não. O interessante sobre Dent é que os irmãos Nolan deram uma aula de como colocar vários personagens, no caso dois vilões, num mesmo filme e não perder o foco, como aconteceu com o fraco Homem-Aranha 3 - ou seria Emo-Aranha 3? A cena do Peter "mau" é uma das mais ridículas da história do cinema, perdendo talvez apenas para o batcartão de crédito de Batman & Robin.

Acompanhando esse tão bem construído roteiro temos uma direção com estilo mas não afetada. Chris tem personalidade, como já mostrou em Amnésia, mas sua meta é contar uma história e não se exibir como diretor. Quando a trama pede, ele abusa da produção. Quando tem que ser clássico, como o Coringa saindo do hospital vestido de enfermeira (uma homenagem a Brian de Palma?), ele é clássico, tirando graça de uma cena assustadora. A platéia ri de nervosa, para delírio do Coringa. Essa direção segura se reflete, também, no elenco. Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Michael Caine, Morgan Freeman, Gary Oldman e Maggie Gyllenhaal estão brilhantes. O triste na morte de Ledger não foi apenas a perda de uma grande ator no melhor papel da sua carreira. Não foi nem a dor de sabermos que nunca mais veremos esse Coringa. O triste foi que acabou criando uma sombra sobre as outras interpretações, principalmente de Aaron Eckhart que está tão magnífico quanto ele.

Roteiro, direção, elenco. Tudo isso ajuda a entender porque Dark Knight é tão bom. Mas a verdadeira resposta para a pergunta Why so good? é a mesma que faz o trabalho dos já citados autores de HQ tão bom. Nolan e sua equipe entenderam a piada. Compreenderam o que é o Batman e os significados que envolvem seu mundo. Fizeram isso como poucos autores de quadrinhos fizeram. Para mim, este não é apenas a melhor adaptação de HQ. É uma das quatro melhores histórias do Batman, ao lado de Asilo Arkham, A Piada Mortal e O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller.


O que temos na tela é a essência do que faz as aventuras do Homem-Morcego tão únicas. Ele não é um super-herói como os outros. Ele não é o Superman. Batman não está aqui para nos inspirar. Está aqui para deixar as trevas longe da luz. E está disposto a pagar o preço de viver nas trevas para fazer isso, como mostra a última cena do filme. Ele é o Cavaleiro das Trevas. Nos gibis, no coração dos fãs e, graças a Chris Nolan e equipe, agora nos cinemas.


Diego Moreau
, acompanhando de perto a nova bathistória R.I.P de Grant Morrison

Postagem do portal www.nanquimhq.com.br

 

posted by amePP @ 13:26
1 comments

________________________________________________

 

Agência Modelo Experimental de Publicidade e Propaganda da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina.

 

Estácio de Sá

 

ADtudo

Amante Agência

Blue Bus

Brainstorm #9

Cafofo Subliminar

ComGurus

Fala Palermo

Feito em Sala

iZIP

Perdi Essa Aula

Sim, Viral.

 

Age

BZZ

D/Araújo

Decisão Comunicação

Fórmula Comunicações

NeoVox

OneWG

Prime Brasil

Propague

Quadra

Talens

Unique - Smart Media

Media com

9mm

W/Brasil

 

Acontecendo Aqui

AdOnline

Meio & Mensagem

Ala VIP

ABAP

ACP

Sapesc

CONAR

 

 

Coordenação da AMEpp

 

Prof. Carlos Madureira

 

 

Coordenação do Curso

 

Prof. Diego Moreau

 

março 2008

abril 2008

maio 2008

junho 2008

julho 2008

agosto 2008

setembro 2008

outubro 2008

novembro 2008

dezembro 2008

janeiro 2009

fevereiro 2009

março 2009

março 2010

09/03/2008 a 15/03/2008
02/03/2008 a 08/03/2008
24/02/2008 a 01/03/2008
17/02/2008 a 23/02/2008
10/02/2008 a 16/02/2008
20/01/2008 a 26/01/2008
02/12/2007 a 08/12/2007
25/11/2007 a 01/12/2007
11/11/2007 a 17/11/2007
04/11/2007 a 10/11/2007
28/10/2007 a 03/11/2007
21/10/2007 a 27/10/2007
14/10/2007 a 20/10/2007
07/10/2007 a 13/10/2007
30/09/2007 a 06/10/2007
23/09/2007 a 29/09/2007
16/09/2007 a 22/09/2007
09/09/2007 a 15/09/2007
02/09/2007 a 08/09/2007
26/08/2007 a 01/09/2007
19/08/2007 a 25/08/2007
12/08/2007 a 18/08/2007
05/08/2007 a 11/08/2007
29/07/2007 a 04/08/2007
22/07/2007 a 28/07/2007
15/07/2007 a 21/07/2007
08/07/2007 a 14/07/2007
01/07/2007 a 07/07/2007
24/06/2007 a 30/06/2007

Layout por Rachel Martins

 

 

 

 

Melhor visualização